“(…) Ao chegar na rodoviária, seu ônibus já o aguardava na plataforma. A idéia de que realmente se distanciariam gelou o estômago dos dois. Antes de mais nada, ele correu para guardar suas malas para desfrutar os últimos minutos juntos. Depois disso, se abraçaram longamente, como se fosse uma despedida eterna, um adeus para nunca mais se reencontrarem.
Foi difícil para ele segurar as lágrimas que lutavam bravamente para escapar, mas sabia que isso só pioraria aquele momento. Por mais que se esforçasse, não conseguia lembrar um momento em que tenha tido tanta dificuldade para deixar alguém.
Após o longo abraço, olharam-se… Seus olhos marejados pareciam enxergar além da retina do outro, vendo em seus corações que aquele fim de semana tinha sido muito mais do que dois dias. Aquelas menos de 30 horas desde que trocaram o primeiro olhar, ao se encontrarem no hotel, pareciam muito mais de 30 anos, pois a dor que sentiam em ter que se deixar, era inexplicável.
Ele caminhou para o ônibus lentamente, e ela, para longe dele. Ao chegar em sua poltrona, ela havia desaparecido. Uma lágrima solitária escorreu pelo seu rosto, que agora já não tinha tanta força ou razão para escondê-las. Mais impossível ainda foi conter o riso sincero que surgiu depois, quando ela re-apareceu próximo às escadas que levavam ao andar superior. Recostada em uma das colunas, sua face demonstrava a mesma tristeza que a dele, mas sabiam que aquilo que tinham vivido naqueles dias, naquelas não mais de 30 horas que passaram juntos, havia valido cada segundo. As risadas sinceras, os abraços carinhosos e os beijos apaixonados. As palavras de afeto, os olhares verdadeiros, tudo aquilo, que era da mais terna natureza estava agora cravado em seus corações. (…)”